Category Archives: Uncategorized

Jogadores enfrentam CBF e Globo

 

 

Do jornal Brasil de Fato:

De forma espontânea, os principais atletas profissionais do futebol brasileiro decidiram, em conjunto, enfrentar a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), a Rede Globo, detentora dos direitos de transmissão, e os próprios clubes, onde trabalham.

Um manifesto foi publicado na terça-feira (24) e assinado por 75 jogadores, como Paulo André (Corinthians), Elias (Flamengo), Alex (Coritiba), Rogério Ceni (São Paulo), Marcelo Lomba (Bahia) e D’Alessandro (Internacional).

Diz a nota conjunta: “Queremos ser uma parte mais efetiva deste movimento que se faz extremamente necessário e, para tanto, solicitamos uma reunião com a entidade que administra o futebol brasileiro (CBF) para tratar de questões propositivas e de comum interesse”.

Os atletas buscam melhores condições de trabalho, reivindicam um limite de jogos, não abrem mão da pré-temporada e brigam pela garantia das férias, direito de todo trabalhador.

Recentemente, jogadores como Alex, do Coritiba; D’Alessandro, do Inter, entre outros, já haviam manifestado publicamente insatisfação com o número excessivo de jogos imposto pela entidade.

Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, o diretor jurídico da entidade, Carlos Eugênio Lopes, citou a Copa do Mundo e pediu “boa vontade” dos jogadores para as disputas das competições nacionais e estaduais do ano que vem.“O próximo ano será excepcional por causa da Copa do Mundo. Tem que existir uma boa vontade de todas as partes”, afirmou.

*****

Nós, atletas profissionais de futebol, com representantes em clubes das séries A e B do Campeonato Brasileiro, vimos, de forma oficial, demonstrar nossa preocupação com relação ao calendário de jogos divulgado na última sexta-feira (20) pela Confederação Brasileira de Futebol para o ano de 2014.

Devido ao curto período de preparação proposto e ao elevado número de jogos em sequência, decidimos nos reunir, de forma inédita e independente, para discutir melhorias em prol do futebol e da qualidade do espetáculo apresentado por nós a milhões de torcedores.

Queremos ser uma parte mais efetiva deste movimento que se faz extremamente necessário e, para tanto, solicitamos uma reunião com a entidade que administra o futebol brasileiro (CBF) para tratar de questões propositivas e de comum interesse.

Estamos convictos de que dar esse primeiro passo significa caminhar na direção do profissionalismo, da transparência e da busca pela excelência no futebol de alto rendimento praticado no Brasil.

Contamos com o apoio de outros atletas e convidamos todos os profissionais do futebol e apaixonados pelo esporte a se unirem a nós nesta iniciativa em benefício do futebol brasileiro.

Informaremos ao público o andamento e os resultados desta nova discussão assim que possível

Sem mais para o momento,ABAIXO A LISTA DOS JOGADORES QUE ASSINARAM O DOCUMENTO:

Alessandro (Corinthians)

Alex (Coritiba)

Alex (Internacional)

Alexandre Pato (Corinthians)

Anderson (Paraná Clube)

André Rocha (Figueirense)

Arouca (Santos)

Barcos (Grêmio)

Bolívar (Botafogo)

Cássio (Corinthians)

Ceará (Cruzeiro)

Cícero (Santos)

Corrêa (Portuguesa)

Cris (Vasco)

D’Alessandro (Internacional)

Dedé (Cruzeiro)

Deivid (Coritiba)

Dida (Grêmio)

Diego Cavalieri (Fluminense)

Douglas (Corinthians)

Edson Bastos (Ponte Preta)

Edu Dracena (Santos)

Edu Schimidt (Sem Clube)

Elano (Grêmio)

Elias (Flamengo)

Fabinho (Criciúma)

Fábio (Cruzeiro)

Fábio Santos (Corinthians)

Fabrício (São Paulo)

Fahel (Bahia)

Felipe (Fluminense)

Fernando Prass (Palmeiras)

Gilberto Silva (Atlético-MG)

Ibson (Corinthians)

Jadson (São Paulo)

Jefferson (Botafogo)

Juan (Internacional)

Júlio Baptista (Cruzeiro)

Juninho Pernambucano (Vasco)

Kleber Gladiador (Grêmio)

Lauro (Ponte Preta)

Léo Moura (Flamengo)

Leonardo (Criciúma)

Lima (Portuguesa)

Lincoln (Coritiba)

Lúcio Flávio (Paraná Clube)

Luís Alberto (Atlético-PR)

Luís Fabiano (São Paulo)

Luís Ricardo (Portuguesa)

Maldonado (Corinthians)

Marcel (Criciúma)

Marcelo Lomba (Bahia)

Marco Antonio (Atlético-PR)

Moisés/Meia (Portuguesa)

Moisés/Zagueiro (Portuguesa)

Neto Baiano (Goiás)

Paulo André (Corinthians)

Paulo Baier (Atlético-PR)

Paulo Cesar (Sem Clube)

Rafael Moura (Internacional)

Rafael Sobis (Fluminense)

Roberto (Ponte Preta)

Rodrigo (Goiás)

Rogério Ceni (São Paulo)

Serginho (Criciúma)

Souza (Portuguesa)

Thiago Ribeiro (Santos)

Tinga (Cruzeiro)

Titi (Bahia)

Valdívia (Palmeiras)

Valdomiro (Portuguesa)

Victor (Atlético-MG)

Wendel (Vasco)

William (Ponte Preta)

Zé Roberto (Grêmio)

Anúncios

 

No último dia 12, a Folha de São Paulo publicou pesquisa Datafolha que deu conta de que, até então, o percentual dos brasileiros que aprovava a contratação de médicos estrangeiros para suprir a carência desses profissionais nas regiões empobrecidas tanto das cidades quanto do país, tornou-se majoritário. De lá para cá, esse apoio deve ter aumentado…

54% dos entrevistados pelo Datafolha disseram, então, aprovar o programa “Mais Médicos”, do governo federal, que, agora, acaba de bater o martelo na “importação” de 4 mil médicos cubanos.

Em junho, o índice de aprovação ao programa era de 47%. Por outro lado, diminuiu o índice de reprovação — de 48% para 40% no mesmo período.

A pesquisa também mostrou que o apoio ao programa federal aumenta ou diminui de acordo com a classe social do entrevistado. Ou seja: as pessoas de classe social mais alta reprovam mais o programa, enquanto que as de classe social mais baixa aprovam mais.

A explicação para o fenômeno é muito simples: os que não têm problemas para ser atendidos por médicos por terem maiores recursos financeiros se prendem ao aspecto político da questão e se solidarizam com uma classe laboral que, em um país como o Brasil, origina-se exclusivamente das classes sociais mais favorecidas.

As entidades de classe dos médicos, então, declararam uma guerra ao programa “Mais Médicos” que, aparentemente, seria inexplicável.

O “Mais Médicos” foi elaborado para suprir com médicos estrangeiros as regiões nas quais os médicos brasileiros não querem trabalhar, ou seja, nas periferias das grandes cidades ou nas regiões e cidades mais afastadas e empobrecidas do país. Ora, se trabalhar nas regiões mais carentes não interessa aos médicos brasileiros, por que, então, eles não querem que os estrangeiros trabalhem?

Cobrados sobre tal contradição, os médicos tupiniquins trataram de conseguir uma explicação pretensamente plausível: estão preocupados com a população, que seria atendida por profissionais “despreparados” como seriam os tais médicos cubanos, apesar de Cuba ter índices na saúde que deixam os de um país como o Brasil no chinelo.

Segundo os médicos brasileiros… Ou melhor, segundo a parcela gritalhona dos médicos brasileiros que declarou guerra o programa “Mais Médicos”, eles não trabalham nas regiões pobres porque elas não teriam a estrutura de que necessitariam para desempenhar a contento as suas funções.

A “explicação”, porém, cai por terra quando se verifica que há um impressionante volume de hospitais bem montados, com equipamentos e tudo mais de que um médico possa precisar e que só não funcionam direito justamente por falta de médicos.

Nesse aspecto, matéria recente da Agência Brasil, entre muitas outras, desmascarou a desculpa das entidades de classe dos médicos e da parte ruidosa de uma categoria que, mais adiante, veremos que tem razões muito diferentes das alegadas para não querer trabalhar nas regiões ermas e empobrecidas das urbes e do país.

A matéria relata que a diretora do Hospital Pedro Vasconcelos, da cidade Miguel Alves, no Piauí, reclama da ausência de médicos no município apesar de ele ter um hospital equipado.

Miguel Alves tem cerca de 32 mil habitantes. O hospital local tem, sim, estrutura mínima e pode, por exemplo, realizar um exame de raio-X a qualquer hora, pois o equipamento funciona 24 horas por dia. Contudo, por falta de um ortopedista em 80% dos casos há que encaminhar o paciente para a capital, Teresina, a 100 quilômetros de distância.

A diretora desse hospital argumenta que especialistas ajudariam a tratar os casos menos graves e a fazer diagnósticos mais precisos, mas o centro cirúrgico do hospital está desativado por falta de profissionais.

Nesse mesmo hospital, um outro exemplo: a sala de ultrassom está perfeitamente operacional, mas fica ociosa a maior parte do tempo. Funciona apenas uma vez por semana, no único dia em que o médico responsável pelo exame vai à cidade, quando vai.

Na avaliação da prefeita de Miguel Alves, Salete Rego, “A dificuldade de fixar médicos, especialistas e generalistas está associada ao fato de o município ter 68% da população vivendo na zona rural. Quem é urbano, dificilmente quer viver em um ambiente rural“, disse.

A assessoria do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, garante que o Ministério da Saúde tem como demonstrar que esse problema se generaliza pelo país afora: haveria, sim, hospitais, equipamentos e tudo mais para atender boa parte das populações das regiões mais carentes. Segundo o MS, pode faltar equipamento em algumas regiões, mas naquelas em que há estrutura não há médicos queiram trabalhar nelas.

Com efeito, a falta de estrutura seria muito mais fácil de resolver do que a falta de médicos. Falta de equipamentos se resolve com dinheiro – é só comprar. Médicos, não. Mesmo pagando altos salários, os profissionais não querem se deslocar para regiões sem shoppings centers e ruas arborizadas, só para ficarmos num exemplo frugal.

E ainda vale lembrar que os médicos – ou uma parcela expressiva deles –, desmascarados, procuram jogar a culpa pelo problema no governo federal por ter idealizado o programa que levará profissionais estrangeiros aonde os brasileiros não querem trabalhar. O fato, porém, é que saúde não é atribuição só do governo federal.

Mas por que, então, os médicos brasileiros se opõem tão furiosamente a um programa que suprirá a falta deles em regiões em que não querem trabalhar? Nesse ponto, matéria recente do SBT dá uma pista. Alguns médicos chegam a se empregar em hospitais para a população humilde, sim, mas recebem sem trabalhar. Vão a esses hospitais, batem o ponto e vão embora em seguida.

Confira, abaixo, a impressionante matéria do SBT.

Eis, aí, uma das principais razões pelas quais uma parcela expressiva da categoria médica não quer “concorrência” estrangeira. Para fazer um “bico” em alguma região pobre, médicos ganham fortunas e nem têm que trabalhar de fato, atuando apenas quando não tem jeito. Não querem, pois, perder essas “tetas”.

Claro que toda a generalização é burra. E não é porque a maioria apoia alguma coisa que ela está certa. Contudo, quem de fato precisa da saúde pública sabe que faltam mais médicos no Brasil do que estrutura. Sobretudo no Norte e no Nordeste, como mostra a matéria da Agência Brasil comentada acima.  É por isso que os médicos cubanos, entre os de várias outras nacionalidades, deverão atuar, preferencialmente, nessas regiões.

As desculpas dessa expressiva parcela da classe médica, portanto, não enganam o povo. Podem enganar pessoas das classes mais abastadas, que são minoria da minoria e não dependem da saúde pública. Mas a população que precisa, que é maioria esmagadora, conforme vai tomando conhecimento do “Mais Médicos” vai apoiando o programa.

Apesar das desculpas esfarrapadas dos médicos e da facilidade com que podem ser descontruídas, essa expressiva parcela da categoria parece estar dopada pelas mentiras que propala.

O nível de falta de noção dessa parcela expressiva desses profissionais é tão grande que não faz muito tempo uma manifestação deles saiu às ruas gritando que médicos são “ricos e cultos”, como que para “avisar” o governo para que “não mexa” com eles.

Os médicos gritalhões e espertalhões, portanto, conspurcam a imagem de toda a categoria, apesar de, obviamente, haver nela gente decente e responsável.

A classe médica, com o silêncio de sua parcela ética, está cometendo um verdadeiro suicídio de imagem pública. É visível que entre a população mais humilde os médicos estão se desmoralizando cada vez mais com essa cruzada contra um programa que pode salvar incontáveis vidas.

Vale, pois, um alerta à parcela decente e responsável dos médicos – que se supõe que deve existir. Esses profissionais devem criar coragem e enfrentar o corporativismo da categoria dizendo publicamente que os gritalhões não os representam, pois o “Mais Médicos vai fazendo cada vez mais sentido para uma maioria crescente dos brasileiros.

Aécio tenta encurralar Serra

 

 

Por Altamiro Borges, em seu blog

O título não é sacanagem. Foi estampado nesta terça-feira (20) pelo jornal Estadão, que nutre enorme simpatia pelos tucanos. “Aécio pede prévias para encurralar Serra”, informa a matéria assinada por Erich Decat e João Domingos. A sacanagem, pelo jeito, é do cambaleante presidenciável mineiro. “A iniciativa de Aécio Neves sobre as prévias, segundo alguns integrantes do PSDB, tem como objetivo eliminar a possibilidade de o ex-governador de São Paulo José Serra deixar a legenda. Serra, que já disputou por duas vezes a presidência (2002 e 2010), derrotado nas duas ocasiões, foi convidado a ingressar no PPS”, registra o jornalão paulista, que sempre apoiou explicitamente o ex-governador paulista.

Com a jogada matreira, o senador mineiro força o eterno candidato paulista a se posicionar rapidamente. A declaração ocorre cerca de um mês antes do fim do prazo, que termina no início de outubro, para que os candidatos ingressem no partido em que irão disputar no próximo pleito. “Apesar de se posicionar favorável à realização da disputa interna, Aécio informou que o tema ainda não foi discutido pela cúpula do PSDB. O tucano voltou a defender, entretanto, que o partido tenha logo no início de 2014 um nome para a disputa à presidência da República. ‘Eu não sou candidato. Eu sou hoje presidente do PSDB. Não existe nenhuma postulação à candidatura presidencial. Sou presidente do PSDB’, afirmou”.

Atualmente, o senador mineiro tem o controle total do partido e conta com o respaldo dos seus principais líderes, inclusive do ex-presidente FHC, tratado como “guru”. José Serra está isolado na legenda e mostra-se vacilante quanto aos seus próximos passos. Na semana passada, ele garantiu que “serei candidato” – só não disse ao que. Ele vive ameaçando deixar o PSDB, mas ainda não conseguiu uma legenda viável para os seus sonhos – até no PPS, do servil Roberto Freire, há resistências ao seu nome. “Além do desgaste que sua saída criaria ao partido que ele ajudou a fundar, as pesquisas eleitorais mostram que uma candidatura de Serra dividiria o eleitorado tucano”, alertou a Folha desta quarta-feira.

Diante destas dificuldades, Aécio Neves encosta José Serra na parede, ao dizer que aceita as prévias, e ainda provoca: “Tenho enorme respeito pelo companheiro Serra. Reitero isso sempre que posso. Ele é parte da historia do PSDB. Acho que todos nós gostaríamos que ele ficasse no PSDB, na mesma trincheira que nós estamos. Mas a questão de mudança de partido é sempre uma questão pessoal. Obviamente o PSDB saberá respeitar”. Como se observa, as bicadas tucanas ficam cada dia mais sangrentas! Nesta semana, por exemplo, um almoço do senador mineiro com a bancada de deputados paulistas foi adiado para evitar mais constrangimentos. É tucano querendo encurralar o outro!

Para entender as oscilações do câmbio

 

 
Por Luis Nassif, em seu blog:

 
A lógica da alta do dólar é a seguinte.

Com a crise financeira, o FED (Banco Central norte-americano) inaugurou uma era de ampla liquidez, injetando dólares a rodo na economia. Nos EUA, o excesso de dólares provocou uma queda nas taxas de juros de curto prazo. Com a economia norte-americana estagnada, os dólares ficaram empoçados nos bancos. E os investidores foram atrás de outras oportunidades de ganhos, vindo aportar em economias emergentes.


Esse movimento acabou realimentando os circuitos especulativos e promovendo a apreciação das moedas nacionais – especialmente do real.

*****

A falta de coragem de enfrentar essa apreciação, o medo de uma desvalorização do real pressionar mais a inflação, fez com que a política monetária fosse condescendente com o câmbio, mantendo a herança maldita de apreciação que vem desde o governo Fernando Henrique Cardoso.

*****

Houve dois efeitos maléficos, um consequência do outro.

O primeiro, foi o estrangulamento das contas externas, com a perda do dinamismo das exportações e o aumento violento das importações, especialmente de produtos chineses.

O segundo foi a perda de dinamismo da economia. Os grandes ganhos da ampliação do mercado interno acabaram sendo apropriados pelos importados.

O Banco Central elevou as cotações do dólar de suicidas R$ 1,70 para R$ 2,00, mas foi insuficiente. A indústria não conseguiu se aproveitar do aumento do consumo interno e o ciclo de crescimento foi quebrado.

*****

Nesse período, o nó das contas externas foi driblado por dois movimentos – que agora se esgotam. Um deles, a manutenção das cotações de commodities em níveis elevados, garantindo os dólares via exportação de produtos primários. O segundo, a manutenção das taxas de juros dos EUA em níveis historicamente baixos, garantindo o financiamento das contas externas brasileiras via conta de capitais.

*****

Agora, chega-se ao fim dos dois ciclos. As cotações de commodities começaram a cair, em função do desaquecimento relativo da economia chinesa. E é questão de tempo para o FED tirar os estímulos monetários, o excesso de dólares em circulação.

*****

A leitura do mercado, então, foi mecânica.

Sempre que ocorre uma mudança nas condições internacionais de juros, há o chamado “overshooting” – ou seja, um movimento de desvalorização cambial mais do que proporcional.

*****

Trata-se da repetição de outras crises enfrentadas pelo país desde os tempos de FHC.

A desvalorização do real promove, per si, o reequilíbrio das contas externas. Há um efeito instantâneo sobre gastos com viagem, um efeito a curto prazo de redução das importações e de médio prazo de recuperação das exportações. Por outro lado, o BC promove uma estilingada nos juros..Menos risco cambial de um lado, mais remuneração de outro, traz de volta os dólares, para especular e promover nova apreciação do real.

*****

Há dois pontos a se considerar para não repetir a escrita.

O primeiro, é que o FED estuda maneiras de promover o enxugamento dos dólares sem influenciar em demasia as taxas de juros de curto prazo.

A segunda, é saber se, desta vez, o governo Dilma aproveitará esse movimento para manter, vez por todas, o câmbio em uma posição competitiva ou pensará nas eleições de 2014.

As chicanas da Globo

 

 
Por Miguel do Rosário, no blog O Cafezinho:

Em sua coluna de terça-feira, Miriam Leitão põe de lado suas góticas análises econômicas e publica uma furiosa defesa de Joaquim Barbosa. A urubóloga diverge radicalmente da crítica feita na véspera por Ricardo Noblat, em sua coluna. Leitão diz que Barbosa é um homem muito educado, e que Lewandowski demora-se em falas “excessivamente longas que nada acrescentam de novo”.


Leitão chancela a agressão de Barbosa, a qual descreve gentilmente como um “conflito entre ele e o ministro Ricardo Lewandowski”.

Não vou me estender sobre a inacreditável arrogância de Leitão, expressa já no título,”Questão de ordem”, como se ela tivesse poder oficial de ingerência sobre o julgamento. A jornalista, subitamente arvorada em suprema jurista, diz que “agora, o alongamento não faz sentido.”

Claro, a grande mídia quer um desfecho urgente da Ação Penal 470, porque já identificou que as críticas aos erros do processo se avolumam de maneira assustadora nas redes. Se jamais houve debate nos jornalões bancados pela Secom, agora não se dá mais um pio. A mídia bloqueia qualquer mínima discussão em suas páginas e programas. E exige que o STF faça o mesmo.

É surreal. Joaquim Barbosa (com aval dos colunistas) quer que os ministros do STF chancelem tudo que ele diz. Seus pares devem ser submissos, obedientes, acríticos. E rápidos! Ninguém pode protestar. A ordem já foi dada. Quem divergir, será humilhado em público com as piores ofensas. No dia seguinte, a mídia irá fazer críticas delicadas à compostura do ministro, mas sempre concluindo que ele está com a razão.

O esforço de Lewandowski para debater os embargos é o último lampejo de independência e lucidez de um STF vergado, chantageado e humilhado pelo poder da mídia. O ex-presidente do STF nem terminou sua gestão e assinava prefácio do panfleto golpista de Merval Pereira, principal âncora político da Globo. O atual presidente, Joaquim Barbosa, acaba de empregar seu filho na Globo. Tá tudo dominado.

Eu gostaria apenas de pontuar uma coisa. Os barbosianos chamam de chicana a tentativa de Lewandowski para levar adiante um julgamento mais ponderado. Um julgamento em que os réus não sejam considerados inimigos, mas seres humanos com direito a magistrados imparciais, fiéis aos valores democráticos e humanistas da nossa Constituição.

Como os barbosianos qualificariam as desculpas grotescas da Globo para não pagar seus impostos?

O que pensa Miriam Leitão, Merval Pereira e outros globais, das chicanas de baixíssimo nível, quase caricaturais, usadas pela Globo para fugir ao pagamento dos tributos que sustentam a educação e saúde pública dos brasileiros?

Nem me refiro ao “crime contra ordem tributária”, conforme definiu Alberto Sodré Zile, quando dá a palavra final sobre a sonegação da Globo.

Estou me referindo à chicana da Globo, quando a Receita pede que a empresa se explique. Uma chicana ridícula. Ao invés de se retratar humildemente e pagar seu débito, a empresa tenta uma manobra decididamente hilária: diz que a dívida era da TV Globo, e não da Globo Comunicações. Sim, é isso mesmo.

É que a TV Globo e a Globopar se fundiram em 2005, no bojo dos esforços do grupo para acertar suas contas na praça, depois que levara uma dura de um juiz de Nova York ao final do ano anterior. E daí nasceu a Globo Comunicação e Participações.

Trata-se da chicana mais cara de pau que jamais uma empresa cometeu na história mundial das sonegações. Autuada pela Receita porque não pagou os impostos da compra dos direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2002, a Globo disse que a dívida era da TV Globo, não dela. É como se eu mudasse meu nome para Joaquim Barbosa e dissesse a meus credores que não lhes devo mais nada, porque a dívida deles era com Miguel do Rosário. É como se o Fora do Eixo mudasse seu nome para Dentro do Eixo, e nunca mais pagasse aquele restaurante de Cuiabá que apareceu na Folha.

Pausa para rir durante três meses.

Essa é genuinamente boa. Devo, não nego, mas não pago porque eu não sou mais eu.

A Globo inaugurou a chicana esquizofrênica!

E Miriam Leitão e cia ainda querem dar lição de moral à Lewandowski! E por que? Porque ele está tentando evitar que os réus sejam massacrados num tribunal de exceção, esse teatro ridículo dirigido pela Globo, no qual os ministros agem qual marionetes sem personalidade.

Olha que eu citei apenas uma de várias chicanas que a Globo tentou usar para ludibriar a Receita. Todas são ridículas e todas foram rejeitadas magistralmente pelos auditores da Receita Federal.

Além da chicana, eu e o Fernando Brito, do Tijolaço, inspirados na dupla que investigou o Watergate, estamos investigando uma outra ação “protelatória”. O roubo do processo. Segundo o Ministério Público, o roubo teve como objetivo “obstar o desdobramento da ação fiscal que nele se desenvolvia, cujo montante ultrapassava 600 milhões de reais”.

É uma chicana atrás da outra.

Os réus da Ação Penal 470 estão lutando, com ajuda dos autos, para mostrar aos ministros do STF que houve erros grosseiros no julgamento, porque ele foi feito às pressas, sob grande pressão da mídia. Documentos foram ocultados deliberadamente (como o Laudo 2828, e o contrato da Visanet), pelo procurador e pelo então relator do processo, Joaquim Barbosa. Não houve um debate satisfatório. Os embargos, por isso mesmo, são necessários, e os debates precisam se dar com serenidade, como deveria ser qualquer debate em que a vida e a honra de cidadãos estão em jogo.

As chicanas da Globo, por sua vez, são ações desprezíveis de uma concessão pública, que recebe bilhões de reais da Secom e de todos os governos, para não pagar o seu maldito imposto de renda!

É inacreditável que um empresa chicaneira, sonegadora e golpista pretenda dar lição de moral à mais alta corte do país. E mais incrível ainda que os ministros se curvem às suas ameaças e chantagens!

O desfile golpista no 7 de setembro

 

 
Por André Barrocal, na revista CartaCapital:

As manifestações de junho começaram com a defesa do transporte público gratuito e de qualidade por militantes do Movimento Passe Livre (MPL), mas depois tomaram rumos novos e uma proporção inesperada. Aglutinados pelas redes sociais da internet, milhares de jovens foram às ruas contra “tudo isso que está aí”, sobretudo os partidos políticos. Nas mesmas redes sociais há quem tente articular outra explosão de protestos, agora no Dia da Independência. Não se sabe se o plano vai funcionar, mas uma coisa é certa: ao contrário dos acontecimentos de junho, o movimento nada tem de apartidário.


O alvo da “Operação Sete de Setembro” é a presidenta Dilma Rousseff. O caráter político-ideológico da “operação” fica claro quando se identificam alguns de seus fomentadores pela internet. Entre os mais ativos consta uma ONG simpatizante de uma conhecida família de extrema-direita do Rio de Janeiro, os Bolsonaro. E um personagem ligado ao presidente da Assembleia Legislativa e do PSDB paranaenses, Valdir Rossoni. É uma patota e tanto. Envolvidos em algumas denúncias de corrupção, não surpreenderia se eles mesmos virassem alvo de protestos.

A ONG em questão é a Brazil No Corrupt – Mãos Limpas, sediada no Rio. Seus principais integrantes são dois bacharéis em Direito, Ricardo Pinto da Fonseca e seu filho, Fábio Pinto da Fonseca. Há cinco anos eles brigam nos tribunais contra a Ordem dos Advogados do Brasil na tentativa de acabar com a exigência de uma prova para obter o registro de advogado. Os dois foram reprovados no exame da OAB. Em sua página na internet e no Twitter, a ONG promove a “Operação Sete de Setembro” e a campanha Eu não voto em Dilma: Eleição 2014, Brasil sem PT.

Um dos principais parceiros da entidade nas redes sociais é o deputado estadual fluminense Flávio Bolsonaro, do PP. Pelo Twitter, ele compartilha informações, opiniões e iniciativas da ONG. A dobradinha extrapola o mundo ­virtual. Bolsonaro comanda na Assembleia do Rio uma frente para acabar com a prova da OAB. Em Brasília, a ONG conseguiu um neoaliado, o líder do PMDB na Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, que encampou a ideia de extinguir o exame.

Filho do deputado federal Jair Bolsonaro, Flávio tem as mesmas posições do pai, célebre representante da extrema-direita nacional. Os Bolsonaro são contra o casamento gay, as cotas raciais nas universidades e os índios. Defendem a pena de morte e a tortura. Chamam Dilma de “terrorista” por ter ela enfrentado a ditadura da qual eles sentem saudade. “Naquele tempo havia segurança, havia saúde, educação de qualidade, havia respeito. Hoje em dia, a pessoa só tem o direito de quê? De votar. E ainda vota mal”, declarou o Bolsonaro mais jovem não faz muito tempo.

A ONG adota posturas parecidas com aquela dos parlamentares. Em sua página na internet, um vídeo batiza de “comissão da veadagem” alguns dos críticos da indicação do pastor Marco Feliciano para o comando da Comissão de Direitos Humanos da Câmara. Divulga ainda um vídeo de ­teor racista contra nordestinos, no qual o potencial candidato do PT ao governo do Rio, o senador Lindbergh Farias, nascido na Paraíba, é chamado de… “paraibano”.

A agressividade no trato com os semelhantes custou aos Fonseca uma denúncia à Justiça elaborada pelo Ministério Público Federal no ano passado. Pai e filho foram acusados de caluniar o juiz federal Fabio Tenenblat. Em 2009 e 2010, ambos entraram na Justiça com ­duas ações populares contra o exame da OAB e o então presidente da entidade no Rio, Wadih Damous. A segunda ação parou nas mãos de Tenenblat, que a arquivou em julho de 2011. Na sentença, o juiz acusa os autores de “litigância de má-fé”, pelo fato de manterem outra ação semelhante. “O dolo, a deslealdade processual e a tentativa de ludibriar o Poder Judiciário são evidentes”, anotou.

Na apelação levada ao juiz para tentar reabrir o caso, os Fonseca e seu advogado, José Felicio Gonçalves e Souza, acusaram Tenenblat de favorecer a OAB “por tráfico de influência ou por desconhecimento”, o que “demonstra claramente sua parcialidade e má-fé como magistrado”. Em maio de 2012, os três foram denunciados pela procuradora Ana Paula Ribeiro Rodrigues por crime contra a honra. Em novembro, um acordo suspendeu o processo por dois anos. Os acusados foram obrigados a se retratar publicamente, a se apresentar à Justiça de tempos em tempos e a pedir autorização sempre que pretenderem deixar o Rio por mais de 30 dias. Também levaram uma multa. Se descumprirem o acordo, o processo será retomado.

Ari Cristiano Nogueira, outro ativo incentivador nas redes sociais da “Operação Sete de Setembro”, também está na mira do Ministério Público. Morador de Curitiba, é investigado por promotores estaduais por supostamente ser funcionário fantasma do gabinete do deputado Rossoni.

Nogueira é um ativo militante na internet sob o pseudônimo Ary Kara. Por meio do Twitter, foi o primeiro a circular, em meados de julho, a notícia de que Dilma teria recebido na eleição de 2010 uma doação de 510 reais de uma ex-beneficiária do Bolsa Família, chamado por ele de “bolsa preguiça”. Dias depois, a doação, registrada na prestação de contas de Dilma entregue à Justiça eleitoral, virou notícia nos meios de comunicação. O Ministério do Desenvolvimento Social acionou a doa­dora, Sebastiana da Mata, para saber se a contribuição era dela mesmo. Ela negou.

Por Twitter e Facebook Nogueira é um dos difusores da convocação para o “maior protesto da história do Brasil”, em 7 de setembro. Sua página no Twitter é ilustrada com o dizer “Partido Anti Petralha”, forma depreciativa de se referir aos militantes petistas bastante difundida na rede de computadores. No Orkut, define-se como “conservador de direita” e manifesta preferência pelo PSDB. Até junho de 2012, era assessor do presidente do partido no Paraná, como contratado na Assembleia. Deixou o gabinete para trabalhar na campanha à reeleição do então prefeito de Curitiba, Luciano Ducci, que concluía o mandato herdado em 2010 do atual governador do Paraná, o tucano Beto Richa.

Em 2010, uma série de denúncias levou o MP estadual a abrir um inquérito para apurar uma lista com mais de mil supostos funcionários fantasmas na Assembleia. Nogueira a integrava. Desde então, alguns suspeitos foram denunciados e julgados. O caso de “Ary Kara” segue em aberto. O promotor Rodrigo Chemim aguarda uma autorização judicial para quebrar o sigilo bancário do investigado. Espera ainda por respostas de empresas de segurança onde Nogueira teria trabalhado, enquanto deveria dar expediente no Parlamento estadual.

Rossoni, antigo patrão de Nogueira, foi investigado pelo Ministério Público por uso de caixa 2 na eleição de 2010, pois parte dos gastos de sua campanha não estava comprovada. Ao julgar o caso em agosto do ano seguinte, o Tribunal Regional Eleitoral reconheceu a existência de despesas de pagamento sem a devida comprovação, mas os valores foram considerados baixos e o deputado acabou absolvido por 4 votos a 2.

Reeleito à presidência da Assembleia, o tucano foi recentemente acusado de receber benefícios de empresas donas de contratos de rodovias privatizadas no Paraná. Durante mais de dois anos, o parlamentar conseguiu barrar a criação de uma CPI do Pedágio no estado. Perdeu, porém, a guerra. A comissão parlamentar de inquérito foi instalada no mês passado.

Coleta de assinaturas para CPI da corrupção tucana começa hoje

no sítio http://www.vermelho.org.br

 

Petistas na Câmara e no Senado começam a coletar na segunda-feira (19) as assinaturas necessárias para criar a CPI mista da Siemens. O alvo principal da investigação é o esquema denunciado pela empresa alemã sobre a formação de um cartel para fraudar licitações do metrô em São Paulo e no Distrito Federal.

 


Metrô cheio / Foto: Caio Guatelli-Folha Imagem

De acordo com o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), que ficará responsável pela coleta de assinaturas dos deputados, a bancada petista na Câmara fechou o texto pedindo a investigação sobre a denúncia de formação de cartel em São Paulo, corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. “Acho que não vai ser difícil conseguir assinaturas, temos o apoio de partidos da base”, garantiu o deputado.

Inicialmente, a ideia dos petistas era apresentar o pedido na Câmara. No entanto, com duas CPIs em funcionamento e outras duas autorizadas, o requerimento iria para uma fila com outras 17 comissões. Somente cinco podem funcionar ao mesmo tempo na Casa. Por isso, passaram a articular a investigação mista. Atualmente no Congresso não existe nenhuma comissão autorizada a funcionar. São necessárias as assinaturas de pelo menos 171 deputados e 27 senadores.

A Siemens denunciou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) um esquema de fraude em licitações para construção do metrô paulistano e para a manutenção dos trens no Distrito Federal. Em troca de entregar as empresas participantes e documentos, ganhou imunidade em um processo. Em valores atualizados, os contratos passam de R$ 1,9 bilhão.

Os contratos assinados inicialmente atingem administrações do PSDB em São Paulo e do ex-governador José Roberto Arruda no Distrito Federal, na época no DEM, que foi preso em 2010 acusado de tentar subornar uma testemunha da Operação Caixa de Pandora. No entanto, apareceram denúncias de irregularidades em Salvador (BA), Belo Horizonte (MG) e Porto Alegre (RS).

Quando surgiu a denúncia em São Paulo, petistas chamaram o caso como “trensalão” como uma resposta ao mensalão, que voltou a ser julgado nesta semana pelo Supremo Tribunal Federal (STF). “A primeira coisa [a fazer] é uma investigação. Não dá para fazer um pré-julgamento político”, comentou Teixeira.

Com informações de Congresso em Foco