MARX E A MODERNIDADE CAPITALISTA — parte 9MARX E A MODERNIDADE CAPITALISTA — parte 9

 
 

Talvez, o aspecto mais problemático das conclusões expressas por Marshall Berman seja aquele que diz respeito ao papel progressista e “civilizador” da expansão capitalista pelo mundo, enunciada magistralmente nas primeiras páginas do Manifesto do Partido Comunista de Marx e Engels e confundida por Berman com a expansão dessa modernidade em geral.

                

                                                                                

Berman abstraiu as conclusões de Marx e as generalizou para todas as fases do desenvolvimento do capitalismo mundial, inclusive na sua fase de decadência. Ele acabou defendendo, quase 150 anos após a publicação do Manifesto Comunista, o papel civilizador da expansão capitalista e viu com desconfiança o esforço daqueles que o negavam e não acreditavam na relação direta entre modernidade e integração ao sistema capitalista, especialmente quando integração significava necessariamente subordinação e dependência. As décadas de 1980 e de 1990 demonstraram o caráter destrutivo e regressivo da expansão, mais ou menos livre, do capital pelo mundo.

Berman não só desconsiderou nas suas análises a luta de classes, mas, também, as relações de dominação e de exploração entre povos e nações, especialmente na etapa imperialista do capitalismo. Por isso, tendeu a generalizar as afirmações de Marx encontradas no Manifesto, que tratavam do processo de expansão mundial do capitalismo na sua fase inicial. Com isso ele acabou enxergando o mundo com um olhar “primeiro mundista”, ou seja, com o olhar dos dominadores.

Sob uma ótica neocolonialista ele dirigiu duras críticas aos regimes e governos pós-revolucionários do Terceiro Mundo, que tentaram saltar “do feudalismo para o socialismo (…) sem se deixar contaminar pelas profundidades da fragmentação e desunião moderna”, tentando assim

“(…) Banir de seus respectivos mapas a cultura moderna. Sua esperança é que, se for possível proteger o povo dessa cultura, este poderá ser mobilizado numa sólida frente a perseguir objetivos nacionais comuns, em vez de se dispersar numa multidão de direções no encalço de voláteis e de incontroláveis objetivos individuais.”

E concluiu:

“(…) O que eles (…) proíbem como “decadência ocidental” é na verdade a energia, os desejos e o espírito crítico do seu próprio povo. Quando os porta-vozes e propagandistas governamentais proclamam que seus países estão livres da influência alienígena, o que de fato está em causa é que eles conseguiram, até aí, impor um freio político e espiritual ao seu povo. Quando o freio é retirado, ou expelido, uma das principais coisas que vem a tona é o espírito modernista: o retorno do reprimido.”

Portanto, essas ações defensivas adotadas por esses governos (pós-revolucionários) estariam necessariamente condenadas ao fracasso na medida em que estes eram “obrigados a flutuar ou nadar nas águas do mercado mundial, obrigados a um esforço desesperado para acumular capital (…). Assim, capturado o Terceiro Mundo na dinâmica da modernização, o modernismo, longe de se exaurir, estará apenas começando a chegar às suas dimensões plenas.

Na próxima parte desta série examinaremos de que forma a tradição de pensamento marxista evoluiu no trato da questão do colonialismo.

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