MARX E A MODERNIDADE CAPITALISTA — parte 4

Por AUGUSTO BUONICORE

 

O pessimismo de Berman, que era antípoda das concepções marxianas da história, estava também expresso na sua visão sobre as possibilidades da revolução social e do comunismo, apregoadas por Marx. Afirma Berman:

“Marx vislumbrou o comunismo como o coroamento da modernidade; porém, como pode o comunismo inserir-se no mundo moderno sem suprimir aquelas energias verdadeiramente modernas que ele promete? Por outro lado, se o comunismo der livre curso a essas energias, seu fluxo espontâneo não levará de roldão a nova formação social?” (Berman, 1987: 103)

Quem respondeu a essa questão foi o próprio Berman:

“(…) A simples e atenta leitura do Manifesto, que leve a sério a sua visão da modernidade, nos conduz a sérias dúvidas sobre as respostas de Marx. Podemos perceber que o coroamento entrevisto por Marx, logo aí, à porta, talvez esteja ainda muito distante no tempo, se é que chegará de fato a ocorrer; e percebemos também que, ainda que ocorra, talvez constitua apenas um episódio breve e transitório, destinado a desaparecer rapidamente, tornado obsoleto antes de se ossificar, levado de roldão pela mesma vaga de perpétua mudança e progresso que o trouxe ao nosso alcance, em um momento fugaz, deixando-nos a flutuar interminavelmente, desamparadamente” (Idem).

Ele também não escondeu o seu medo quanto aos resultados de uma possível, embora improvável, revolução comunista:

“Podemos perceber ainda como o comunismo, para manter coeso, precisará sufocar as forças ativas, dinâmicas e desenvolvimentistas que lhe deram vida, precisará matar muitas das esperanças pelas quais valeu a pena lutar, precisará reproduzir iniquidades e contradições da sociedade burguesa, sob novo nome” (Idem).

Então por que lutar e se sacrificar por essa nova sociedade? A resposta só poderia ser uma: deixemos isso de lado. Por isso, na obra de Berman, destinada a analisar a chamada “modernidade”, não existia nenhuma proposta para a construção de uma nova modernidade que fosse alternativa e oposta à modernidade destrutiva do capitalismo na sua fase imperialista.

Na próxima parte desta série de artigos aprofundaremos este raciocínio.

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