MARX E A MODERNIDADE CAPITALISTA — parte 2

Na segunda parte do século 19, o capitalismo enquanto sistema e a burguesia enquanto classe, particularmente nos países capitalistas centrais, não teriam mais nada de progressista ou de revolucionário.

                

Referindo-se a essa “viragem” no papel histórico da burguesia, Friedrich Engels escreveu:
“A particularidade que distingue a burguesia (…) consiste precisamente em que em seu desenvolvimento existe um ponto de viragem a partir do qual todo acréscimo de seus meios de poder, e, portanto, de seus capitais em primeiro lugar, somente contribui para torná-la cada vez mais incapaz para a dominação política.”
A burguesia, segundo ele, passou a ser aliada dos setores sociais mais reacionários e tornou-se uma força conservadora e contrarrevolucionária. Aqui, sem dúvida, ele se refere aos países capitalistas centrais.
A expansão planetária do sistema capitalista e o agravamento de suas contradições levaram necessariamente a uma situação em que aquele sistema adquiriu cada vez mais um caráter parasitário e destrutivo. Essa tendência foi apreendida por inúmeros marxistas no início do século 20, especialmente Rosa Luxemburgo e Vladimir Lenin. O novo período foi então denominado “imperialismo”.
Berman pareceu também desconsiderar as teses de Marx sobre o papel destrutivo e dissolvente das crises no sistema capitalista. Afirma aquele autor:
“(…) Interrupções, perturbações, intermináveis incertezas e agitações, em vez de subverter essa sociedade resultam de fato no seu fortalecimento. Catástrofes são transformadas em lucrativas oportunidades para o desenvolvimento e renovação (…). Dizer que nossa sociedade está caindo aos pedaços é apenas dizer que ela está viva e em forma” (Berman, 1987: 101).
Berman, no entanto, tinha consciência de que essa conclusão divergia das teses marxistas sobre o papel das crises econômicas periódicas nas sociedades capitalistas. Marx, continua ele:
“(…) Parece acreditar que essas crises irão minar aos poucos o capitalismo e talvez destruí-lo. Contudo, sua própria visão de análise da sociedade burguesa mostra com que perícia essa sociedade enfrenta crises e catástrofes (…). Crises podem (…) abrir espaço para novos investimentos e desenvolvimentos; podem forçar a burguesia a inovar, expandir e combinar seus instrumentos de maneira mais engenhosa que antes: crises podem, portanto, atuar como inesperadas fontes de forças e resistências do capitalismo. (…) Dada a capacidade burguesa de tirar proveito da destruição e do caos, não há qualquer razão aparente para que essas crises não possam prosseguir numa espiral interminável, destruindo pessoas, famílias, corporações, cidades, porém deixando intactas as estruturas de poder da vida social burguesa.”
Reaparecia aqui a tese da capacidade de autoperpetuação infinita do capitalismo, da sua eternização enquanto sistema. Um tema a ser detalhado na próxima parte desta série de artigos.

 

 

http://grabois.org.br/portal/revista.int.php?id_sessao=21&id_publicacao=460&id_indice=2654

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